2 - ...

...dentro dela tinha uma pessoa deitada de costas. Cabelos chegando até o ombro pretos - muito escuros, chegava a ser mais escuro que o céu que agora chovia intensamente - uma roupa preta também, não chegava a ser igual aos seus cabelos, estava mais puxada para um preto avermelhado. Mas o que me chamou atenção foi as bordas e detalhes vermelho-sangue de sua roupa. Ele tinha alguma coisa presa entre os braços e nas costas.
Mas como assim? Uma pessoa caiu do céu? Ele poderia estar praticando pára-quedismo e foi atingido por um raio?
Mas realmente ele não parecia um pára-quedista, parecia mais um... é eu não sabia com o que ele parecia. Percebi que devia ajudá-lo, ele parecia estar realmente mal.
Não pude evitar que o medo implacável de se aproximar de um ser estranho que literalmente caiu do céu me fizesse tremer dos pés à cabeça.
Me aproximei dele com muita leveza:
-S-senhor? O Senhor e-está bem? - disse levantando a mão para tocá-lo.
Toquei aquela roupa molhada, e não obtive resposta. Dei um impurrãozinho de leve nele e senti um tremor.
Fui realmente surpreendido por uma explosão.
-CÉLIA! - me jogando para traz com tal força que me deparei que estava em cima do morro novamente.
Quando ouvi o nome ser pronunciado pelo ser estranho. Caí definitivamente de costas no chão molhado e chorei. O que meu amor Célia tinha à ver com aquele ser estranho que caiu do céu. Que relação ele tinha com ela? Ela que realmente morreu fisicamente - mesmo seu coração batendo e mantendo todas as outras funções do corpo. Ela ficara doente no dia de chuva que saímos para organizar as ovelhas na montanha, desde aquele dia ela simplesmente foi ficando cada vez mais quieta, mais calma, mais cega... Até chegar no estado que está à mais de três meses... Não existe uma única coisa neste mundo que me deixe mais destruído do que ver ela neste estado.
Aquele ser estranho se levantou e caminhou até meus pés e me estendeu a mão para provavelmente me ajudar a ficar de pé.
-Olá garoto, meu nome é Élmmos. Me desculpe pelo susto que te causei. Permita-me ajudá-lo - disse o ser com uma voz grossa macia, muito gostoso de se ouvir - estranhamente me senti calmo, relaxado e confortável.
Me levantei com a ajuda do ser educado e perguntei:
-O S-senhor está bem? O Senhor conhece minha amiga C-célia, Senhor? - gaguejando como um tonto.
Ele arrumando suas roupas e seu cabelo me disse calmamente:
-Sim estou bem, tive um problema com esta chuva não esperada, sei que por está região de Cisma chove em grandes quantidades e excessivamente em quase todo os dias - disse ele com a maior naturalidade do mundo.
Percebi que ele evitara a minha segunda pergunta, mas ele realmente era uma pára-quedista? Ou ele era um ser voador?
A chuva começou a engrossar muito mais e antes que ele pudesse provavelmente perguntar para onde eu estava puxando ele, eu o agarrei e o puxei em direcção à casa:
-Para onde você está...!
-Corre! Você vai ficar doente...! - disse aumentando minha voz, tentando sobre-por o barulho dos trovões que não deram uma única trégua desde que o tempo fechou.
Chegando até dentro da varanda, ele se livrou delicadamente do meu apertão em seu braço direito:
-Calma amiguinho, não precisa desse desespero todo, eu não posso ficar doente... - disse ele novamente com aquela voz grossa com a maior naturalidade.
-C-como assim senhor? O Senhor não pode ficar doente? - arregalei os olhos olhando fixamente em seus olhos - eles eram de um azul que ficaram brancos... sem nenhuma reverência.
-Eu não posso ficar doente, e também não posso morrer... porque eu sou um Anjo... - disse ele ao mesmo tempo que eu perdia a respiração...