36 - ...

Quando tudo voltou ao foco vi que estávamos no morro onde eu cheguei.
A movimentação de Anjos ainda era grande como antes, gritos, nada mudara...
Senti o braço quente de Solly me pegar e me arrastar para o buraco brilhante. Saímos no corredor de sempre, me senti em casa quando vi o lugar brilhante, por fim fomos cuspidos no Paraíso da Luz, vazio... pensei que ele estaria cheio de Anjos da Morte esticados pelo chão mais... não havia nada... só o de sempre.
-O que você fez com os corpos?
-Existe uma coisa chamada "fogo".
Queimados.
Comecei a me sentir estranho, como se algo estivesse faltando, meu calcanhar ardia, levantei o manto preto do Anjo que matei e vi meu calcanhar... furado!!! Faltava um pedaço dele... senti meu corpo indo para trás... como se um vento me sugasse. Um portal negro se abriu e eu entrei, só vi Solly e Victor com os olhos arregalados me olharem enquanto o portal se fechava. O calor voltou como um soco.
Fui cuspido e ouvi algo:
-Olha só, quem diria que um pedacinho assim poderia trazer você de volta...
Élmmo me olhava loucamente e dividia os olhares com um pedaço de corpo que ele segurava, ele arremessou o pedaço para cima e o pedaço logo entrou em baixo de meu manto e senti ele arder ao se colocar no buraco de meu calcanhar.
-Bruno vou falar bem rápido para você, eu matei Célia... ela falava muito...
Não aguentei Élmmo já me tirou do sério, senti cada nervo do meu corpo se retrair, senti as minhas veias saltarem para fora e o ódio que habitava meu corpo se expandir de um jeito incrível... eu nunca perdera o controle assim... eu não controlava nenhuma parte do meu corpo...
-Morra ÉLMMO!!!
-O q...
Ele foi interrompido pelo soco que dei em seu rosto novamente, ele foi atirado metros para trás.
Mantendo minha perna esquerda no chão chutei seu rosto com o pé direito, incrível a flexibilidade...
Uma série de golpes se desencadeou, todos em uma velocidade... provavelmente da luz... eu sentia que estava deformando o corpo de Élmmo, senti osso quebrando... alguns gemidos que ele mal conseguia gritar.
Ele matara Célia... meu amor!!! Soco seguido de chutes. Ele tirou minha vida!!!
Parei.
Olhei para Élmmo, com o rosto sangrando... corri para suas costas e senti suas penas... as asas dele...
Em um movimento automático... puxei com todas as forças, a cena de Fleer se repetiu novamente... as asas resistiram com uma pequena contracção, senti elas saírem por completo em minhas mãos...
Senti a lágrima escorrer meu rosto... minhas mãos vermelhas de sangue...
-Parabéns Talent você conseguiu me destruir - disse Élmmo com admiração enquanto caia de joelho para frente com um rosto vazio... mortal e enlouquece dor.
EU MATEI ÉLMMO... meu corpo esfriara com a ideia... cai de joelhos opostamente dele e gritei:
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!